sexta-feira, 20 de março de 2009

Não me poupes. Maltrata-me, ignora-me, sê indigna de mim, mas não me poupes. Mente-me por medo de me perderes, não me mintas por piedade, por achares que é melhor para mim.
Sei - sabem todos - que o meu corpo mirrará à dimensão de um vaso esquecido ao pó das arrecadações, quebradiço e frágil, sensível. Sei - não sabem todos? - que o mundo vai acabar num dilúvio de lamentações. Mas será só por alguns dias, semanas, talvez, se já roubaste demasiado de mim. Por isso, não me poupes por não quereres ver-me triste. Não me poupes por te ter feito pensar que isso será o desmoronar do castelo das minhas emoções. Não me poupes com o egoísmo cruel de quem se julga altruísta.
Pede-me mais do que posso dar, abusa de mim para além da minha compreensão. Não me ames. Mas por favor, não me poupes. Não me mintas. Não me menosprezes à pequenez de uma criança a quem se garante que existe um Pai Natal.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

I just made you up to hurt myself.
Adormeci de dentro para fora. Adormeci da sofreguidão de te encontrar para a consciência de que não existes. Não no meu mundo.
Sinto-te a falta nas noites mais quentes, de olhos postos no céu negro. Sinto-te a falta nas noites frias, enrolada nos cobertores e num abraço que julgava ser teu - afinal era só eu.
Adormeci de fora para dentro, da tua imagem nítida para a desfiguração dos meus sentidos.
Existias, sim, mas só na minha imaginação. Vi-te a brincar com pedras à beira de um rio, vi-te agasalhada num jardim grande demais para caber na vista, vi-te a fazer sapateado e as labaredas que dançavam contigo e atrás de ti. Vi-te em todas as heroínas penosamente humanas dos meus filmes de estimação. Corroeste-me como um tumor em metástase e já não sei co-existir com as coisas como elas são.
I just made you up to hurt myself.
Por ti ouvi as vozes que me diziam para me entregar, julgando encontrar-te aqui e ali, em alguém. Que deliciosamente patética foi essa ilusão.
Doeste-me em todos os enganos e batidas em retirada apressadas e desarrumadas. De todas as vezes fica-me um travo a estupidez e um sentido de perda da inocência de conto de fadas que tento preservar.
Não existes, minha querida, e nada me conforma ou satisfaz abaixo de ti. Inventei-te com um coração grande o suficiente para me protegeres lá dentro e todos os outros recusam despertar por mim. De que me vales, então, se só existes em histórias que não são minhas. De que me vales se não há ninguém como tu.
I just made you up
to hurt myself.

Palavras de aconchego espiritual.

Fui ver o Slumdog millionaire ao cinema. Lá mais para o fim,num momento que suponho ser o climax, um dos monhês diz: god is great. E de facto deve ser. Depois de ter rido fartamente do final do dito filme e do senhor com flautulência sentado à minha frente, a grandeza do Senhor revelou-se quando dei por falta do telemóvel. Juntando 2+2,que é como quem diz senhor com flautulência+trajectória do telemóvel quando caiu, deus é grande no açoite sem mão que me deu. Por este seguimento de ideias espero que a grandeza do pastor se espalhe novamente por mim,por meio do euromilhões (visto que o carlos cruz anda a ramboiar com o bibi e já não há programa para ganhar).

Estou ressabiada,sim. Já estive mais longe de ler o segredo,o segredo por detrás do segredo e outras pangelas de auto-ajuda.
As coisas pragmáticas que conduzem a generalidade das pessoas aborrecem-me. Sinto-me absolutamente apática, desligada das coisas,da carreira,do futuro. Coisas,coisas,coisas. A revolta já não passa além da superficie. Roubada,sem carta,sem documentos,sem telemóvel. Coisas. Não vão para lá da epiderme. Contudo,chorei como um bebé à frente do monitor do computador,sozinha,contigo ao meu lado. Andei o dia todo com um peso a puxar-me o corpo para o chão. Por mim. Pela mágoa engarrafada que de quando a quando transborda sem motivo. As coisas aborrecem-me porque não tenho uma bussola que me dê sentido e vivo de paixões,desilusões e nostalgia. Assusta-me que a melancolia assuste alguém. Fica engarrafada, escondida no meu sistema nervoso adormecido. Chorei por achar que o amor está para mim como um milagre para os outros. Por mais patético e piroso que isto seja. As coisas não me fazem chorar. Tenho tudo gasto em lamentar-me de mim a mim mesma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Love Actually

Por ordem decrescente, os meus momentos preferidos do filme (agora que já passou o Natal):

Primeiro

Segundo (Arrepia-me as glândulas lacrimais sempre que vejo a expressão da Emma Thompson)

Terceiro (e óbvio)

All you need is




booze.

A coroação de um dia de merda é:

depois de passar uma manhã inteira na DGV, ouvir a conversa do "ah, isso não é aqui, é no outro 29038º departamento público para tratar do 22º papel e voltar aqui", a tarde a ouvir os amigos a constatarem a merdice óbvia em que anda a minha vida, chegar ao centro comercial, meter a mão ao bolso e perceber que perdi os 5€ que roubei à minha mãe para comprar tampões.

Amén.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

hearts on fire



with hearts on fire
I reach out to you tonight

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

domingo, 30 de novembro de 2008

O Senhor ama-me.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008



Haja vagar e paciência, e de hoje adiante hei-de meter para aqui, a martelo, alguns momentos preferidos de filmes que gosto. Interesse? Nenhum, mas deixa-me feliz.

Cher - music's no good without you

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Acordei com vertigens. Andei pela casa como se tivesse bebido um litro de vinho. Voltei a ouvir a voz do meu pai, sem lhe retirar nenhum sentido. Não tomei banho, comi tudo o que me veio à mão com açucar, bebi café com sabor a bolor.
Fui às aulas, sem me apetecer, e fui multada pelo caminho. Afinal já não fui às aulas, outra vez.
Resumindo: puta que pariu a tensão baixa que não me permite olhar para a cara do senhor guarda, que, generosamente, tratava de explicar por que meios estou fodid@ com a minha mãe por ter de pagar 120€ de multa e, quiçá, ficar uns mesitos sem meter o cu no meu carro.

[a meio do post senti-me ordinária e não me apeteceu reformular a coisa de maneira a ficar ou dramaticozinho ou estupidozinho. Julgo que a segunda prevaleceu]

questão: por que é que as lésbicas bonitas, e, às vezes, interessantes, acabam com as lésbicas assim

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Estou dormente, de peito pesado e dormente, atrofiada entre a cavidade toráxica e o ódio desta situação. Quero sentir qualquer coisa, mas não sei muito bem o quê. Não sei se raiva, se pena, se alívio ou consternação. Não quero a revolução que a revolta faz dentro de mim, manhosa e em silêncio, nos momentos em que me vejo sozinha.
Não quero esta descrença, mas já descreio em quase tudo.
Nem sequer chorei e podem achar-me fria por isso. Acho que gastei grande parte das lágrimas, mais do que desejaria, no degredo da nossa privacidade. Agora o choque já não é choque, é rotina. Só sei que não é normal, porque tremo. Porque tremem-me as pernas por escassear a força para segurar o pedal da embraiagem do carro. Porque bato contra as portas e as esquinas das paredes quando ando por casa. Porque sonho com todos os medos que digo não me meterem medo algum.
Estou dormente e pesada, como uma gabardine molhada. Quero dizer a alguém o que sinto, mas não sei o que sinto e afinal acho que não quero dizer nada a ninguém.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Queria que percebesses, que percebessem os dois, que não te quero mal, mesmo quando te odeio. Não me sinto bem, mas no tempo presente sinto-me segura.
Queria que percebesses que não te quero mal, nem quero nada que seja teu.
Só a tua ausência.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

nós.

O melhor que se tem a dizer do amor é que nos dá cólicas. Quando alguém tem o poder de interferir com a nossa estabilidade intestinal, qualquer coisa está fora do lugar. Qualquer coisa foi transferida e perdida no caminho natural das coisas.
Quando vieste perguntar-me sem pejo algum se queria comer-te, devia ter dito que não. Acho que reside aí a chave do insucesso de todas as minhas relações: a incapacidade de dizer um redondo Não.
- Está bem.
Está bem? Que merda de resposta é esta num ser humano em idade adulta?
- Está bem.
E curtimos. Devia ter dito Não. Não me leves a mal, não me arrependo. Lamento, talvez, nas ocasiões em que o labirinto das tuas ideias me rebenta no cérebro como um aneurisma, mas não me arrependo.
Se escrevesse o tratado da nossa relação, teria de contar ao mundo que o nosso maior defeito foi não saberes de mim e eu não saber de ti. Completamente autistas. Não podia dar certo.
Devia ter dito que não. Devia ter-te dito que me tinhas deixado na alma um vazio que nem tu podias suprimir. Devia ter-te dito que o teu silêncio rompeu nos meus tímpanos a confiança que havia entre nós.
- Está bem.
O tempo que passámos juntas, posso dizer, com justiça, foi o intervalo entre os meus dois amores. O primeiro, reprimido, e o outro, o segundo, depois de me deixares, de eu te deixar, de nos deixarmos; o sofrido.
Não te disse Não para aprender o valor que a negativa poda ter na minha vida. Agora digo não constantemente.
Não gosto disso.
Não, não te quero dar o número.
Não, não te quero conhecer.
Não.
Devia ter-te dito Não para te poder adiar. Meter-te em pausa, como um filme. O filme da nossa vida. Devia ter-te dito Não, para saber se deveríamos retomar, não de onde ficámos, mas de onde deveríamos ter partido.
Uma pessoa resolvida teria feito isso. Mas eu nunca fui uma pessoa resolvida.
O melhor que se pode dizer do Amor é não ser eterno. Ou, pelo menos, não se queima eternamente.
O melhor que posso dizer de ti é não saber se foi amor, mas saber que foste o primeiro batimento cardíaco a injectar esse cancro nas minhas veias.
O Amor é a maior hipérbole do nosso Tempo. Tu és a maior hipérbole da minha vida.

[parte disto é ficção]

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

To be someone



To be someone
To be someone

I wish I could say the same of myself
That I'm in perfect harmony
That I do not use the sword of my tongue
To lash out at the enemy

That I do not fear the light
That I do not stray from love as my guide
That I'm at peace inside

And all the pieces are fine
They dance and sing in unity
A dum dum dum dee daa da dee

Oh I wish I could fly
Through the sky
And the moon above me
Oh I wish I could talk
To the gods and the birds above me
It’s not fun to be so blind
To be so blind

I wish I could stay in the present day
Not lapsing into vicious sleep
‘Cause it gives my bones a brand shiny new home
One that does not confine me

And I do not fear the light
Find More lyrics at www.sweetslyrics.com
And I do not stray from love as my guide
And I'm at peace inside

And all the pieces are fine
They dance and sing in unity
A dum dum dum dee daa da dee

Oh I wish I could fly
Through the sky
And the moon above me
Oh I wish I could talk
To the gods and the birds above me
It’s not fun to be so blind
To be so blind

Slo fuzz in the morning
Where I can tempt you
To be my air
But it's not enough to be lovely
When I feel other things
I can not share
That I can't

Oh I wish I could fly
Through the sky
And the moon above me
Oh I wish I could talk
To the gods and the birds above me
It’s not fun to be so blind
To be so blind

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Aprendizagens que nos levam a visitar aquele hospital na Av. do Brasil

Razões para não se acabar com um namorado (de quem não se gosta):

1º Ser-se distraída e precisar de alguém que veja os noticiários
2º Ele ter TvCabo
3º Ele sacar músicas da internet
4º O rapaz até é carinhoso e (de vez em quando) isso "dá jeito"
5º Sexo (mau e em pouca quantidade)
6º [Este motivo foi retirado do contexto anterior à conversa] Não gosta de vibradores porque não são "carne" e não deitam "fluídos"

Notas tiradas, toca a arranjar namorado(a)s assim!